A Larissa tem dezoito anos. Desde os dez, quando a mãe se foi, é ela quem toca a casa: as contas, a comida, o irmão de nove anos que ela criou no colo.
Desde o começo do ano, ela faz tudo isso de uma cama em repouso. Um caroço cresceu do lado direito da cabeça dela, e quando o pai viu, levou ela para ver no mesmo dia. Ela não voltou pra casa desde então.
A lição do irmão, ela corrige pela câmera. Quando o menino tem febre, é pra ela que o pai liga. De longe, ela dá conta de quase tudo menos de estar lá.
O doutor foi direto com ela: dá pra tirar, mas quanto mais o caroço cresce, mais difícil a retirada vai ficando.
O pai trabalha na obra, ganha por dia, e ainda pegou um bico de domingo. O que entra acaba na casa e no prato do menino. O que juntaram pra operação, perto do que ela custa, é quase nada.
A Larissa já fez essa conta de todo jeito: somando o que o pai ganha, o que dá pra cortar, o que guardaram. Só com eles três, não chegam nem perto do valor.
Quero contribuirEla passou oito anos sendo quem resolve as coisas naquela casa. Agora a única coisa que resolve de verdade é uma operação que a família não alcança sozinha.
Cada pessoa que entra nessa encurta o caminho da Larissa de volta pra casa.
Tudo pode começar por aqui: